FAQ

Perguntas frequentes

Respostas concisas a dúvidas comuns sobre os mamíferos carnívoros de Portugal.

Geral

Sobre a fauna portuguesa de carnívoros de forma sucinta.

  • Quantas espécies de carnívoros existem em Portugal continental?

    Em Portugal continental ocorrem 13 espécies nativas e 2 espécies invasoras:

    • 2 canídeos: lobo‑ibérico e raposa
    • 2 felídeos: lince‑ibérico e gato‑bravo
    • 7 mustelídeos nativos: lontra, texugo, fuinha, marta, toirão, doninha e arminho
    • 1 viverrídeo: geneta
    • 1 herpestídeo: sacarrabos
    • 2 invasoras: guaxinim (procionídeo) e visão‑americano (mustelídeo)
  • Há ursos em Portugal?

    Não há população residente. Como população reprodutora, o urso‑pardo (Ursus arctos) terá desaparecido em Portugal por volta do século XVII; o último exemplar abatido em território nacional foi morto a 2 de dezembro de 1843, na serra da Mourela, no Gerês. Em maio de 2019, contudo, o ICNF confirmou a presença de um exemplar no Parque Natural de Montesinho (Bragança), identificado por pegadas e pelos indícios deixados em colmeias atacadas a cerca de 700 metros da fronteira espanhola. Foi o primeiro registo fiável da espécie em Portugal em quase dois séculos. A população selvagem mais próxima concentra-se na Cordilheira Cantábrica, em Espanha.

  • Que carnívoros existem a sul do rio Douro?

    A maioria das espécies nativas (raposa, gato‑bravo, geneta, sacarrabos, lontra, texugo, fuinha, marta, toirão e doninha) está presente a sul do Douro. O lince‑ibérico voltou ao território português através do programa de reintrodução no Vale do Guadiana. O lobo‑ibérico mantém-se também a sul do rio Douro, com uma subpopulação isolada e mais vulnerável em parte dos distritos de Aveiro, Viseu e Guarda; a subpopulação principal encontra-se a norte do rio, na quase totalidade dos distritos de Bragança e Vila Real e em partes dos distritos do Porto, Viana do Castelo e Braga. No conjunto, a espécie ocupa hoje apenas cerca de 20% da sua área de distribuição original em Portugal.

Espécies

Identificação e particularidades de determinadas espécies.

  • Os guaxinins são nativos de Portugal?

    Não. O guaxinim (Procyon lotor) é originário da América do Norte e está classificado como espécie exótica invasora ao abrigo do Regulamento (UE) n.º 1143/2014. A sua presença em Portugal é recente e em expansão; observações devem ser comunicadas ao ICNF.

  • O visão‑americano é o mesmo que a doninha?

    Não. A doninha (Mustela nivalis) é uma espécie nativa muito pequena, com cerca de 150–200 g, e o visão‑americano (Neogale vison) é uma espécie invasora bastante maior, com 500–1500 g, originária da América do Norte e tipicamente associada a linhas de água. São mustelídeos distintos; a presença de visão‑americano deve ser comunicada ao ICNF.

  • Qual é a diferença entre a marta e a fuinha?

    Ambas são mustelídeos de hábitos arborícolas, semelhantes na forma e tamanho. A marta (Martes martes) apresenta uma mancha amarelada no peito e ocupa sobretudo florestas maduras e bem conservadas. A fuinha (Martes foina) tem mancha branca no peito (frequentemente bifurcada) e adapta-se a paisagens mais humanizadas, incluindo aldeias e telhados de casas.

  • Como se distingue um gato‑bravo de um gato doméstico assilvestrado?

    O gato‑bravo (Felis silvestris) tem corpo mais robusto, cauda grossa com anéis pretos bem marcados e ponta arredondada, padrão tigrado regular, e ausência de manchas brancas no ventre ou nas patas. A hibridação com gatos domésticos é uma ameaça real à subespécie ibérica, pelo que a identificação visual no campo é difícil e deve ficar a cargo de especialistas. Em caso de dúvida, registe fotografia e localização e comunique ao ICNF.

Conservação

Estado das populações, reintroduções e proteção legal.

  • É possível ver lince‑ibérico em estado selvagem em Portugal?

    Em teoria sim, mas é extremamente improvável. A população portuguesa, reintroduzida no Vale do Guadiana a partir de 2014–2015, está em expansão, mas o lince é uma espécie elusiva, crepuscular e de baixas densidades. Mesmo nas áreas de ocorrência confirmada, observações fortuitas são raras. Quaisquer avistamentos devem ser comunicados ao ICNF.

Encontros

O que fazer (e o que não fazer) em encontros no terreno.

  • O lobo‑ibérico ataca pessoas?

    Não há registos modernos confirmados de ataques de lobo‑ibérico a pessoas em Portugal. O lobo é uma espécie esquiva, que evita ativamente o contacto humano. Os conflitos com a atividade humana ocorrem essencialmente sob a forma de predação de gado, hoje geridos através de medidas de prevenção como cães de gado, vedações elétricas e adequação dos sistemas de pastoreio.

  • O que devo fazer se encontrar um animal selvagem ferido?

    Não se aproxime nem tente transportar o animal. Mantenha distância, observe a uma distância segura e contacte imediatamente o ICNF (211 389 320 ou 213 507 900) ou as autoridades locais (GNR/SEPNA - Linha SOS Ambiente e Território: 808 200 520). O manuseamento por pessoas não treinadas pode agravar lesões e representa risco para ambas as partes. Antes de qualquer contacto, registe localização e fotografia, se possível.