Fotografia de Lobo‑ibérico (Canis lupus signatus)CanídeosEm Perigo

Lobo‑ibérico

Canis lupus signatus

Foto: Animal Record (CC BY 2.0)

Nome comum: lobo‑ibérico

O maior carnívoro selvagem de Portugal e símbolo da fauna ibérica ameaçada.

Habitat
Montanhas e florestas do norte e centro de Portugal
Dieta
Corço, javali e mamíferos de médio-grande porte
Família
Canídeos

Descrição

Carnívoro de grande porte, atualmente o maior canídeo selvagem. A região anterior do corpo é bem desenvolvida e a região lombar, forte e arredondada. A cauda espessa anda quase sempre caída entre os membros posteriores durante o deslocamento. A cabeça é volumosa e alongada, com focinho largo, orelhas rígidas e triangulares, e olhos oblíquos de cor topázio. A pelagem do tronco é castanho-amarelada, marcada por uma lista negra que se estende do pescoço à cauda; o focinho apresenta tons ruivos e uma região mais clara que vai da garganta ao ângulo externo do olho.

Habitat

Ocorre em áreas montanhosas com baixa perturbação humana, onde se encontram florestas, matos e pastagens. Em Portugal distribui-se em duas subpopulações: a principal a norte do rio Douro, e uma subpopulação a sul, isolada e mais vulnerável. A área de ocupação total ronda os 16 000 km². De atividade essencialmente noturna, pode percorrer 20 a 40 km num único dia.

Distribuição

  • Norte do Douro (população principal)
  • Subpopulação a sul, isolada
  • ~16 000 km², ~50–60 alcateias
Mapa de Portugal continental por NUTS IIIÁreas de ocorrência aproximada de Lobo‑ibérico a verde sobre o mapa de Portugal continental.CIM Viseu-Dão-LafõesCIM Terras de Trás-os-MontesCIM Tâmega e SousaCIM Reg. LeiriaCIM Reg. CoimbraCIM Reg. AveiroCIM OesteCIM Médio TejoCIM Lezíria do TejoCIM DouroCIM CávadoCIM Beiras e Serra da EstrelaCIM Beira BaixaCIM Baixo AlentejoCIM AveCIM Alto TâmegaCIM Alto MinhoCIM Alto AlentejoCIM AlgarveCIM Alentejo LitoralCIM Alentejo CentralAM PortoAM Lisboa
Mapa de Portugal continental dividido por unidades NUTS III. As regiões a verde indicam a área de ocorrência aproximada da espécie em destaque.

Alimentação

Predador de mamíferos de médio e grande porte. Em Portugal, alimenta-se principalmente de corço, javali e veado. A predação de gado doméstico, especialmente ovelhas e vitelos, é uma fonte frequente de conflito com os pastores.

Reprodução

Vive em alcateias de 3 a 8 indivíduos hierarquizados. Apenas o par alfa (dominante) se reproduz. O acasalamento ocorre entre janeiro e março; os nascimentos dão-se geralmente em maio–junho. As ninhadas têm 3 a 8 lobitos, que nascem com olhos fechados e dependentes de cuidados parentais. Em finais de outubro iniciam a aprendizagem da caça.

Estatuto de Conservação

Classificado como Em Perigo (EN, critério D) pelo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (2023), com menos de 250 indivíduos maturos. O Censo Nacional do Lobo 2019/2021 (ICNF) detetou 58 alcateias (56 confirmadas, com reprodução confirmada em apenas 37) e estimou cerca de 190 lobos maturos (cerca de 370 a 390 no total, no verão/outono). Face ao censo de 2002/2003, a área onde a presença foi detetada contraiu-se cerca de 20% (menos cerca de 5 000 km²) e o número de alcateias desceu de 63 para 58, confirmando uma tendência populacional negativa ao longo das últimas duas décadas.

A evolução é desigual entre os quatro núcleos: o da Peneda/Gerês cresceu (de 16 para 24 alcateias), mas o de Alvão/Padrela perdeu mais de metade (de 13 para 6) e a subpopulação a sul do Douro, isolada e geneticamente empobrecida, está reduzida a apenas 5 ou 6 alcateias. A conservação é orientada pelo Plano de Ação para a Conservação do Lobo‑Ibérico em Portugal, o PACLobo (Despacho n.º 9727/2017). Estritamente protegido em Portugal desde 1988 e abrangido pela Diretiva Habitats (Anexo II e IV).

Ameaças

A mortalidade por causas humanas é o principal fator de ameaça. Segundo o Sistema de Monitorização de Lobos Mortos (ICNF), a causa de morte mais registada é o atropelamento, seguido do laço, do tiro e do envenenamento. A mortalidade ilegal mantém-se como uma das maiores pressões sobre a espécie. A predação sobre a pecuária é uma fonte constante de conflito com os pastores, agravada nas últimas décadas pela transição para a criação de bovinos em regime extensivo, menos vigiados e mais expostos a ataques. A fragmentação do habitat por infraestruturas viárias e energéticas (barragens, parques eólicos, autoestradas), os grandes incêndios florestais e os cortes rasos de vegetação reduzem as zonas de refúgio e reprodução. Os cães errantes, além de atacarem o gado, agravam a animosidade dirigida ao lobo. Em algumas áreas, a escassez local de presas selvagens aumenta a dependência do gado doméstico, ainda que as principais presas (javali, corço e veado) tenham, no conjunto, expandido ao longo das duas últimas décadas.

Documentos e referências

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