
Lobo‑ibérico
Canis lupus signatus
Nome comum: lobo‑ibérico
O maior carnívoro selvagem de Portugal e símbolo da fauna ibérica ameaçada.
- Habitat
- Montanhas e florestas do norte e centro de Portugal
- Dieta
- Corço, javali e mamíferos de médio-grande porte
- Família
- Canídeos
Descrição
Carnívoro de grande porte, atualmente o maior canídeo selvagem. A região anterior do corpo é bem desenvolvida e a região lombar, forte e arredondada. A cauda espessa anda quase sempre caída entre os membros posteriores durante o deslocamento. A cabeça é volumosa e alongada, com focinho largo, orelhas rígidas e triangulares, e olhos oblíquos de cor topázio. A pelagem do tronco é castanho-amarelada, marcada por uma lista negra que se estende do pescoço à cauda; o focinho apresenta tons ruivos e uma região mais clara que vai da garganta ao ângulo externo do olho.
Habitat
Ocorre em áreas montanhosas com baixa perturbação humana, onde se encontram florestas, matos e pastagens. Em Portugal distribui-se em duas subpopulações: a principal a norte do rio Douro, e uma subpopulação a sul, isolada e mais vulnerável. A área de ocupação total ronda os 16 000 km². De atividade essencialmente noturna, pode percorrer 20 a 40 km num único dia.
Distribuição
- Norte do Douro (população principal)
- Subpopulação a sul, isolada
- ~16 000 km², ~50–60 alcateias
Alimentação
Predador de mamíferos de médio e grande porte. Em Portugal, alimenta-se principalmente de corço, javali e veado. A predação de gado doméstico, especialmente ovelhas e vitelos, é uma fonte frequente de conflito com os pastores.
Reprodução
Vive em alcateias de 3 a 8 indivíduos hierarquizados. Apenas o par alfa (dominante) se reproduz. O acasalamento ocorre entre janeiro e março; os nascimentos dão-se geralmente em maio–junho. As ninhadas têm 3 a 8 lobitos, que nascem com olhos fechados e dependentes de cuidados parentais. Em finais de outubro iniciam a aprendizagem da caça.
Estatuto de Conservação
Classificado como Em Perigo (EN, critério D) pelo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (2023), com menos de 250 indivíduos maturos. O Censo Nacional do Lobo 2019/2021 (ICNF) detetou 58 alcateias (56 confirmadas, com reprodução confirmada em apenas 37) e estimou cerca de 190 lobos maturos (cerca de 370 a 390 no total, no verão/outono). Face ao censo de 2002/2003, a área onde a presença foi detetada contraiu-se cerca de 20% (menos cerca de 5 000 km²) e o número de alcateias desceu de 63 para 58, confirmando uma tendência populacional negativa ao longo das últimas duas décadas.
A evolução é desigual entre os quatro núcleos: o da Peneda/Gerês cresceu (de 16 para 24 alcateias), mas o de Alvão/Padrela perdeu mais de metade (de 13 para 6) e a subpopulação a sul do Douro, isolada e geneticamente empobrecida, está reduzida a apenas 5 ou 6 alcateias. A conservação é orientada pelo Plano de Ação para a Conservação do Lobo‑Ibérico em Portugal, o PACLobo (Despacho n.º 9727/2017). Estritamente protegido em Portugal desde 1988 e abrangido pela Diretiva Habitats (Anexo II e IV).
Ameaças
A mortalidade por causas humanas é o principal fator de ameaça. Segundo o Sistema de Monitorização de Lobos Mortos (ICNF), a causa de morte mais registada é o atropelamento, seguido do laço, do tiro e do envenenamento. A mortalidade ilegal mantém-se como uma das maiores pressões sobre a espécie. A predação sobre a pecuária é uma fonte constante de conflito com os pastores, agravada nas últimas décadas pela transição para a criação de bovinos em regime extensivo, menos vigiados e mais expostos a ataques. A fragmentação do habitat por infraestruturas viárias e energéticas (barragens, parques eólicos, autoestradas), os grandes incêndios florestais e os cortes rasos de vegetação reduzem as zonas de refúgio e reprodução. Os cães errantes, além de atacarem o gado, agravam a animosidade dirigida ao lobo. Em algumas áreas, a escassez local de presas selvagens aumenta a dependência do gado doméstico, ainda que as principais presas (javali, corço e veado) tenham, no conjunto, expandido ao longo das duas últimas décadas.
Outras espécies da família Canídeos
Documentos e referências
- RelatórioSituação Populacional do Lobo em Portugal: Resultados do Censo Nacional 2019/2021 (abre em nova janela)Pimenta V, Barroso I, Álvares F et al. (ICNF) · 2023
- Plano de AçãoPlano de Ação para a Conservação do Lobo‑ibérico em Portugal (PACLobo) (abre em nova janela)Diário da República · 2017
- Comunicado de ImprensaEntidades reúnem-se para discutir futuro Plano de Ação Nacional para o Lobo‑ibérico (abre em nova janela)2014
- DiretivaDiretiva Habitats (92/43/CEE) (abre em nova janela)1992
- LivroLivro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (abre em nova janela)Mathias ML (coord.) et al. · 2023
- LivroAtlas dos Mamíferos de Portugal (abre em nova janela)Bencatel J, Sabino-Marques H, Álvares F, Moura AE, Barbosa AM (eds.) · 2019
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