
Visão‑americano
Neogale vison
Nome comum: visão‑americano
Espécie invasora originária da América do Norte, introduzida acidentalmente na Europa a partir de quintas de produção de peles.
- Habitat
- Habitats ripícolas e margens de lagos e estuários
- Dieta
- Peixes, crustáceos, aves, roedores e anfíbios
- Família
- Mustelídeos
Descrição
Carnívoro de pequeno tamanho, com corpo alongado, focinho arredondado, patas curtas e orelhas arredondadas e pequenas. A pelagem é uniforme, castanho muito escuro, quase preta, com exceção do queixo e garganta, que são brancos. A cauda é volumosa com cerca de metade do comprimento do corpo. Possui membranas interdigitais que facilitam a locomoção em meio aquático. As glândulas anais produzem um odor forte e desagradável.
Habitat
Semi-aquático, associado a rios, ribeiras, lagos, albufeiras e zonas costeiras com cobertura vegetal ripícola abundante. Em Portugal, está presente em todas as bacias hidrográficas a norte do rio Douro, estando em expansão para o sul.
Distribuição
- Bacias hidrográficas a norte do Douro
- Em expansão para sul (invasora)
Alimentação
Carnívoro territorial e solitário, de hábitos noturnos e crepusculares, com dieta variada: invertebrados aquáticos (incluindo o lagostim‑vermelho‑americano), peixes, roedores, coelho‑bravo, aves aquáticas, anfíbios e moluscos. É um oportunista que explora as presas mais abundantes em cada momento.
Reprodução
Embora o acasalamento possa ocorrer em qualquer mês do ano, é mais comum de fevereiro a maio. A espécie tem implantação retardada que pode durar 13 a 50 dias. A gestação dura cerca de 4 semanas e cada ninhada tem 4 a 7 crias, que saem das tocas ao fim de cerca de 6 semanas e dispersam às 13–14 semanas.
Estatuto de Conservação
Classificado como Não Aplicável (NA): espécie não-indígena, avaliada no Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (2023). A introdução na Europa ocorreu a partir dos anos 50 do século XX através de fugas e libertações de quintas de produção de peles; em Portugal foi detetado pela primeira vez em 1985 no rio Minho. Atualmente abundante e em expansão para sul.
Ameaças para a Fauna Nativa
A expansão do visão‑americano tem efeitos negativos sobre espécies autóctones: predação do rato‑de‑água, aves aquáticas e toupeira‑de‑água, competição com carnívoros nativos (toirão, lontra) e transmissão de agentes patogénicos. É considerado uma das espécies invasoras mais problemáticas da Europa.
Outras espécies da família Mustelídeos
Documentos e referências
- LegislaçãoRegulamento (UE) n.º 1143/2014: Espécies Exóticas Invasoras (abre em nova janela)2014
- LivroLivro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (abre em nova janela)Mathias ML (coord.) et al. · 2023
- LivroAtlas dos Mamíferos de Portugal (abre em nova janela)Bencatel J, Sabino-Marques H, Álvares F, Moura AE, Barbosa AM (eds.) · 2019
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