Fotografia de Marta (Martes martes)MustelídeosVulnerável

Marta

Martes martes

Foto: caroline legg (CC BY 2.0)

Nome comum: marta

Mustelídeo florestal de grande habilidade trepadora, identificável pela mancha amarela ou creme na garganta.

Habitat
Bosques nativos e maturos de coníferas, folhosas e mistos
Dieta
Roedores, aves, anfíbios, répteis, invertebrados e frutos
Família
Mustelídeos

Descrição

Carnívoro de tamanho mediano, de coloração castanho-escura. Muito semelhante à fuinha, mas distingue-se por possuir uma mancha amarela ou creme na garganta (em vez da mancha branca da fuinha) e por ter as orelhas ligeiramente maiores. É sobretudo crepuscular e noturna. Os indícios de presença incluem excrementos de forma e cor variável colocados em locais proeminentes (caminhos, pedras) e pegadas com 5 dedos e garras visíveis.

Habitat

Espécie tipicamente florestal, habita bosques nativos e maturos de coníferas, folhosas e mistos, com cobertura das copas superior a 56% e diversificados em termos de recursos alimentares e condições de refúgio. Evita áreas abertas, mas explora habitats rochosos associados a manchas florestais. Em Portugal, encontra-se circunscrita a áreas do Parque Nacional da Peneda-Gerês e do Parque Natural de Montesinho.

Distribuição

  • Parque Nacional Peneda-Gerês
  • Parque Natural de Montesinho
  • Área de ocupação <500 km²
Mapa de Portugal continental por NUTS IIIÁreas de ocorrência aproximada de Marta a verde sobre o mapa de Portugal continental.CIM Viseu-Dão-LafõesCIM Terras de Trás-os-MontesCIM Tâmega e SousaCIM Reg. LeiriaCIM Reg. CoimbraCIM Reg. AveiroCIM OesteCIM Médio TejoCIM Lezíria do TejoCIM DouroCIM CávadoCIM Beiras e Serra da EstrelaCIM Beira BaixaCIM Baixo AlentejoCIM AveCIM Alto TâmegaCIM Alto MinhoCIM Alto AlentejoCIM AlgarveCIM Alentejo LitoralCIM Alentejo CentralAM PortoAM Lisboa
Mapa de Portugal continental dividido por unidades NUTS III. As regiões a verde indicam a área de ocorrência aproximada da espécie em destaque.

Alimentação

Dieta variada, constituída por roedores, aves, anfíbios, répteis, invertebrados e frutos. Solitária e maioritariamente noturna, ocupa áreas vitais que podem variar entre 2 e 29 km², diminuindo com uma maior cobertura florestal.

Reprodução

Os acasalamentos ocorrem em julho–agosto. Como é comum nos mustelídeos, apresenta implantação retardada: a fecundação efetiva ocorre apenas 165 a 210 dias após o acasalamento, com gestação de 28–30 dias. Os nascimentos ocorrem em abril–maio. As fêmeas atingem a maturidade sexual aos 15 meses; os machos aos 27 meses. Os juvenis saem das tocas pela primeira vez por volta das 8 semanas de vida.

Estatuto de Conservação

Classificada como Vulnerável (VU, critérios B1ab(iii)+2ab(iii); D1) pelo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (2023), representando uma alteração face à avaliação anterior (Informação Insuficiente). A área de ocupação é inferior a 500 km² e a extensão de ocorrência inferior a 5 000 km², estimando-se menos de 1 000 indivíduos maturos distribuídos por duas subpopulações (Peneda-Gerês e Montesinho). Incluída no Anexo III da Convenção de Berna e no Anexo V da Diretiva Habitats.

Ameaças

A degradação e conversão dos ecossistemas florestais (especialmente pela ocorrência de incêndios, pela fragmentação dos bosques de folhosas nativos e maturos e pelas plantações de florestas de produção) constituem os principais fatores de ameaça. O aumento da frequência e intensidade dos incêndios florestais pode aumentar a fragmentação das populações. Contribuem ainda os atropelamentos, a urbanização, as alterações climáticas (que poderão reduzir a adequabilidade dos habitats de afinidade eurosiberiana) e a competição com a fuinha.

Documentos e referências

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