Fotografia de Toirão (Mustela putorius)MustelídeosEm Perigo

Toirão

Mustela putorius

Foto: Malene Thyssen (CC BY-SA 3.0)

Nomes comuns: toirão, turão, furão‑bravo

O antepassado selvagem do furão doméstico, reconhecível pela máscara facial escura e pelo odor fétido característico.

Habitat
Habitats ripícolas e manchas de matos; matriz com escassa cobertura vegetal
Dieta
Generalista; especialização local em coelho‑bravo no sul de Portugal
Família
Mustelídeos

Descrição

Pequeno carnívoro de pelagem geralmente castanho-escura, com os flancos de um castanho-claro que pode variar até ao amarelo-claro. A característica mais distintiva é a máscara preta ou castanho-escura sobre os olhos, rodeada por uma mancha clara no focinho e entre os olhos e as orelhas de rebordo esbranquiçado. De difícil observação na natureza devido aos hábitos noturnos; os indícios de presença incluem excrementos negros retorcidos com odor fétido e pegadas com 5 marcas de dedos e garras.

Habitat

Fortemente associado a habitats ripícolas e pequenas manchas de matos, particularmente quando a matriz estrutural circundante se caracteriza por escassa cobertura vegetal. Utiliza frequentemente estruturas lineares, como vegetação ao longo de margens de riachos e lagoas ou bermas de estradas, enquanto corredores de movimento. Para se abrigar durante o dia, ocupa, por exemplo, antigas tocas de coelho.

Distribuição

  • Ocorrência generalizada
  • Populações fortemente fragmentadas
  • Área de ocupação atual <140 km²
Mapa de Portugal continental por NUTS IIIÁreas de ocorrência aproximada de Toirão a verde sobre o mapa de Portugal continental.CIM Viseu-Dão-LafõesCIM Terras de Trás-os-MontesCIM Tâmega e SousaCIM Reg. LeiriaCIM Reg. CoimbraCIM Reg. AveiroCIM OesteCIM Médio TejoCIM Lezíria do TejoCIM DouroCIM CávadoCIM Beiras e Serra da EstrelaCIM Beira BaixaCIM Baixo AlentejoCIM AveCIM Alto TâmegaCIM Alto MinhoCIM Alto AlentejoCIM AlgarveCIM Alentejo LitoralCIM Alentejo CentralAM PortoAM Lisboa
Mapa de Portugal continental dividido por unidades NUTS III. As regiões a verde indicam a área de ocorrência aproximada da espécie em destaque.

Alimentação

Generalista, com especialização local em coelho‑bravo no sul de Portugal. Além do coelho, consome roedores, rãs e outros vertebrados disponíveis. Carnívoro solitário e predominantemente noturno.

Reprodução

Os acasalamentos verificam-se entre março e junho. As ninhadas têm geralmente 3 a 7 crias, nascidas com uma lanugem branca e sedosa. A pelagem mais escura surge às 3–4 semanas e o desmame ocorre ao fim de cerca de um mês. A maturidade sexual é atingida no final do primeiro ano de vida e o tempo geracional estimado é de 4,5 anos. Os machos excedem as fêmeas em tamanho desde o nascimento.

Estatuto de Conservação

Classificado como Em Perigo (EN, critérios A2bcde+3bcde+4bcde) pelo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (2023), estimando-se que a redução populacional deverá ter atingido ou venha a atingir os 50%. A área de ocupação apurada a partir de registos confirmados desde 2011 poderá não ultrapassar os 140 km², considerando-se que os núcleos populacionais evidenciam forte fragmentação e descontinuidades geográficas (podendo corresponder a densidades reduzidas). Representa um agravamento face à avaliação anterior (Informação Insuficiente). Está incluído no Anexo III da Convenção de Berna e no Anexo V da Diretiva Habitats.

Ameaças

O declínio da espécie deve-se a fatores como a mortalidade causada pelos atropelamentos rodoviários, além do controlo não seletivo de predadores. A degradação dos ecossistemas vitais agrava o quadro de sobrevivência (por exemplo, destruição dos habitats ripícolas com subsequente intensificação da agricultura), declínio drástico das populações de coelho‑bravo no sul de Portugal Continental, bem como introgressão genética com o furão doméstico assilvestrado. Outras vulnerabilidades incluem a sua sensibilidade aos rodenticidas (envenenamento acidental), eventuais consequências por bioacumulação de poluentes, ou a suscetibilidade a organismos patogénicos como o vírus da esgana canina.

Documentos e referências

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