Fotografia de Lontra (Lutra lutra)MustelídeosPouco Preocupante

Lontra

Lutra lutra

Foto: Alexander Leisser (CC BY-SA 4.0)

Nomes comuns: lontra, lontra-europeia

Bioindicadora de ecossistemas aquáticos saudáveis, a lontra é o mustelídeo mais aquático da Europa.

Habitat
Rios, ribeiras, lagoas, estuários e litoral marinho
Dieta
Peixe, crustáceos, anfíbios e aves aquáticas
Família
Mustelídeos

Descrição

Carnívoro de porte considerável com notável aptidão anfíbia. O corpo fusiforme confere-lhe grande hidrodinamismo. Possui membranas interdigitais e uma forte cauda longa que a tornam rápida e ágil na água, embora menos hábil em terra. O focinho é largo, as orelhas e patas são curtas. A pelagem é espessa, castanha e relativamente uniforme, com uma mancha mais clara ou branca por debaixo do queixo que pode estender-se até ao ventre. Marca regularmente os mesmos pontos proeminentes (pedras no leito ou margem do rio) com fezes de odor adocicado nas quais se distinguem frequentemente espinhas de peixe.

Habitat

Associada a zonas húmidas: rios, ribeiras, estuários, áreas costeiras, albufeiras, lagoas de altitude e pisciculturas. Para além da disponibilidade de água e presas, os habitats ideais incluem adequada cobertura de vegetação, existência de refúgios e reduzida poluição aquática e perturbação humana. A sua presença é um indicador de qualidade dos ecossistemas aquáticos.

Distribuição

  • Todo o território continental
  • Rios, ribeiras, estuários e litoral
  • Área de ocupação ~2 400 km²
Mapa de Portugal continental por NUTS IIIÁreas de ocorrência aproximada de Lontra a verde sobre o mapa de Portugal continental.CIM Viseu-Dão-LafõesCIM Terras de Trás-os-MontesCIM Tâmega e SousaCIM Reg. LeiriaCIM Reg. CoimbraCIM Reg. AveiroCIM OesteCIM Médio TejoCIM Lezíria do TejoCIM DouroCIM CávadoCIM Beiras e Serra da EstrelaCIM Beira BaixaCIM Baixo AlentejoCIM AveCIM Alto TâmegaCIM Alto MinhoCIM Alto AlentejoCIM AlgarveCIM Alentejo LitoralCIM Alentejo CentralAM PortoAM Lisboa
Mapa de Portugal continental dividido por unidades NUTS III. As regiões a verde indicam a área de ocorrência aproximada da espécie em destaque.

Alimentação

Carnívoro territorial e solitário, de hábitos maioritariamente noturnos. Em ambientes mediterrânicos, a dieta é constituída principalmente por peixes e crustáceos (incluindo o lagostim‑americano), e em menor proporção por anfíbios, répteis, aves, pequenos mamíferos e invertebrados aquáticos.

Reprodução

O acasalamento pode ocorrer em qualquer mês, mas os nascimentos são mais comuns na primavera. A gestação dura cerca de 2 meses e a ninhada tem 1 a 5 crias, sendo 2 a 3 o mais usual. As crias saem das tocas ao fim de cerca de 3 meses, altura em que são encorajadas a nadar. O desmame dá-se aos 4 meses e os jovens permanecem com a mãe até aos 10–12 meses.

Estatuto de Conservação

Classificada como Pouco Preocupante (LC) pelo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (2023). A população portuguesa é estimada em não menos de 10 000 indivíduos maturos, com distribuição generalizada em todo o território continental e área de ocupação de cerca de 2 400 km². A tendência populacional é estável, com evolução positiva no centro-oeste do país nas últimas décadas. Incluída no Anexo II da Convenção de Berna, Anexo I A da CITES e nos Anexos II e IV da Diretiva Habitats.

Ameaças

As principais pressões são a destruição da vegetação ripária (resulta de limpezas, extração de inertes e expansão agrícola), a poluição da água por compostos tóxicos e metais pesados, os atropelamentos nas rodovias que atravessam linhas de água, o afogamento em artes de pesca e o abate ilegal associado a conflitos com pisciculturas. Ameaças emergentes incluem a introdução e expansão do visão‑americano (competidor por recursos), a contaminação ambiental por antibióticos e os efeitos das alterações climáticas, que poderão reduzir a adequabilidade do habitat na Península Ibérica.

Documentos e referências

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