
Guaxinim
Procyon lotor
Nome comum: guaxinim
Espécie invasora originária da América do Norte, em rápida expansão em Espanha e no resto da Europa. Em Portugal ainda não existem populações estabelecidas, mas o risco de invasão é considerado iminente.
- Habitat
- Zonas ripícolas e arborizadas próximas de água doce
- Dieta
- Omnívoro oportunista: frutos, invertebrados, peixes e resíduos
- Família
- Procyonídeos
Descrição
Carnívoro de médio porte com pelagem cinzenta-acastanhada, reconhecível pela máscara facial preta e branca característica e pela cauda anelada com faixas pretas e cinzentas alternadas. O focinho é pontiagudo e as patas dianteiras são extremamente hábeis, com dedos compridos que utiliza para manipular alimentos e abrir recipientes. A sua destreza manual é notável para um mamífero selvagem.
Habitat
Altamente adaptável, ocorre sobretudo em zonas ripícolas e arborizadas próximas de água doce, mas também em parques, jardins e ambientes urbanos. A modelação da sua distribuição na Península Ibérica identifica a proximidade a cursos de água como o fator determinante para a sua presença, seguido da precipitação; em contrapartida, a altitude, a temperatura e o grau de urbanização não se revelaram limitantes no contexto ibérico (Valdez et al., 2022). Os corredores ripícolas funcionam como vias de dispersão, ligando habitats favoráveis ao longo das bacias hidrográficas.
Distribuição
- Sem população estabelecida (pré‑invasão)
- Registos confirmados no noroeste (2008, 2014)
- Registos possíveis, por confirmar, em vários distritos
- Registos confirmados
- Registos possíveis (por confirmar)
Na Península Ibérica, o guaxinim foi detetado pela primeira vez em estado selvagem em Espanha, em 2001, na região de Madrid. A maior população estabelecida situa-se entre Madrid e Guadalajara (centro de Espanha), existindo núcleos adicionais na Galiza, em Doñana, em Alicante, na Cantábria e no País Basco, resultado de múltiplos eventos de introdução independentes (Valdez et al., 2022).
Em Portugal não existem populações reprodutoras estabelecidas. Conhecem-se apenas dois registos confirmados, ambos de indivíduos isolados escapados de cativeiro no noroeste do país (Vila Nova de Famalicão em 2008 e Esposende em 2014), além de vários avistamentos possíveis, ainda por confirmar, dispersos por outros distritos (Viana do Castelo, Braga, Guarda, Leiria, Santarém e Lisboa). O país encontra-se, por isso, numa fase de pré-invasão, em que a prevenção ainda é possível: as prospeções de campo associadas ao estudo de referência não encontraram quaisquer indícios da espécie em território nacional.
O maior risco vem de Espanha, através dos rios, que funcionam como rotas de dispersão. Já existe uma população reprodutora no sul de Ourense (rio Salas, bacia do Lima), a cerca de 5 km da fronteira junto a Tourém (Montalegre), bem como registos isolados próximos do rio Minho e no oeste de Cáceres (bacia do Tejo). A modelação aponta o noroeste de Portugal como a região mais vulnerável a uma futura invasão, devido à elevada densidade de rios permanentes e à maior precipitação (Valdez et al., 2022).
Nota: Em janeiro de 2026 foi noticiado um avistamento de um guaxinim no distrito de Bragança, o primeiro para a região. Segundo a notícia, técnicos ambientais terão identificado o animal como pertencente a esta espécie. O registo assenta, contudo, numa única fonte noticiosa, sem identificação da autoridade responsável, pelo que deve ser interpretado com alguma reserva.
Alimentação
Omnívoro oportunista de extraordinária versatilidade. A dieta inclui frutos, invertebrados aquáticos (como o lagostim‑vermelho‑americano), peixes, anfíbios, répteis, ovos, aves e pequenos mamíferos, bem como resíduos domésticos. Não hesita em explorar contentores de lixo e restos de comida humana.
Reprodução
O acasalamento ocorre de janeiro a março e as crias nascem entre abril e maio. A gestação dura 63–65 dias e as ninhadas têm 1 a 7 crias, um número elevado para um carnívoro deste porte, que contribui para o seu sucesso como invasor. A fêmea cria as crias sozinha; os machos não participam nos cuidados parentais. Antes da época reprodutora seguinte, os machos juvenis dispersam para novos territórios, enquanto as fêmeas tendem a permanecer na área de nascimento (filopatria), padrão que influencia a expansão geográfica da espécie.
Estatuto de Conservação
Classificado como Não Aplicável (NA): espécie introduzida. Consta da lista das espécies exóticas invasoras preocupantes para a União Europeia (Regulamento (UE) n.º 1143/2014), sendo a sua introdução, reprodução, transporte, venda e libertação para o meio silvestre proibidos em toda a Europa.
Ameaças para a Fauna Nativa
Caso se estabeleça, o guaxinim constitui uma ameaça para a fauna nativa, sobretudo a associada a meios ribeirinhos. É um predador eficaz de ninhos de aves aquáticas e de espécies já ameaçadas, como o cágado‑de‑carapaça‑estriada (Emys orbicularis), o cágado‑mediterrânico (Mauremys leprosa) e o mexilhão‑de‑rio (Margaritifera margaritifera). Compete por alimento e abrigo com carnívoros nativos, como a lontra (Lutra lutra), o toirão (Mustela putorius), a geneta e a fuinha. É ainda vetor potencial de doenças e parasitas, incluindo a raiva e o nemátodo Baylisascaris procyonis, perigosos para o ser humano.
Documentos e referências
- LegislaçãoRegulamento (UE) n.º 1143/2014: Espécies Exóticas Invasoras (abre em nova janela)2014
- LivroLivro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (abre em nova janela)Mathias ML (coord.) et al. · 2023
- LivroAtlas dos Mamíferos de Portugal (abre em nova janela)Bencatel J, Sabino-Marques H, Álvares F, Moura AE, Barbosa AM (eds.) · 2019
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