Fotografia de Lince‑ibérico (Lynx pardinus)FelídeosEm Perigo

Lince‑ibérico

Lynx pardinus

Foto: Diego Delso (CC BY-SA 4.0)

Nomes comuns: lince‑ibérico, liberne

O lince‑ibérico é considerado o felino mais ameaçado do mundo e um dos mamíferos mais raros da Europa.

Habitat
Bosques e matagais mediterrânicos
Dieta
Coelho‑bravo
Família
Felídeos

Descrição

Felídeo de pelagem castanho-amarelada com pintas negras e cauda curta terminando em ponta preta. Caracteriza-se pelos pelos rígidos em forma de pincel nas extremidades das orelhas e pelas longas patilhas que crescem progressivamente com a idade. Os membros posteriores são mais compridos que os anteriores, conferindo-lhe grande capacidade de impulsão.

Habitat

Prefere bosques, matagais e matos densos de características mediterrânicas. Uma área de linces residentes caracteriza-se, em geral, por uma cobertura arbustiva superior a 40% e uma proporção de matagal entre 60 e 70%. Está estreitamente associado às áreas com boa densidade de coelho‑bravo, presa que pode constituir 80 a 99% da sua dieta.

Distribuição

  • Vale do Guadiana (Mértola–Odeleite)
  • Núcleo de Serpa (norte)
Mapa de Portugal continental por NUTS IIIÁreas de ocorrência aproximada de Lince‑ibérico a verde sobre o mapa de Portugal continental.CIM Viseu-Dão-LafõesCIM Terras de Trás-os-MontesCIM Tâmega e SousaCIM Reg. LeiriaCIM Reg. CoimbraCIM Reg. AveiroCIM OesteCIM Médio TejoCIM Lezíria do TejoCIM DouroCIM CávadoCIM Beiras e Serra da EstrelaCIM Beira BaixaCIM Baixo AlentejoCIM AveCIM Alto TâmegaCIM Alto MinhoCIM Alto AlentejoCIM AlgarveCIM Alentejo LitoralCIM Alentejo CentralAM PortoAM Lisboa
Mapa de Portugal continental dividido por unidades NUTS III. As regiões a verde indicam a área de ocorrência aproximada da espécie em destaque.

Alimentação

Carnívoro maioritariamente crepuscular e noturno. Alimenta-se quase exclusivamente de coelhos‑bravos (Oryctolagus cuniculus), podendo a sua dieta ser complementada com roedores, aves e crias de cervídeos.

Reprodução

Os acasalamentos ocorrem entre janeiro e março. A gestação dura entre 63 a 74 dias, após a qual nascem 1 a 4 crias. O mais comum são 2. As crias recebem cuidados exclusivamente maternais durante cerca de 1 ano, tornando-se então independentes.

Estatuto de Conservação

Classificado como Em Perigo (EN, critério D) pelo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (2023), avaliação assente num número reduzido de indivíduos maturos. O censo de 2025 (ICNF/MITECO) contabilizou 394 linces em Portugal — 265 adultos ou subadultos e 129 crias nascidas nesse ano — no Vale do Guadiana, distribuídos por três subnúcleos: Mértola, Serpa e Alcoutim, em forte expansão após décadas de reintrodução no âmbito de projetos LIFE. À escala ibérica, o mesmo censo registou 2 663 indivíduos (mais 10,9 % do que em 2024), recuperação que levou a IUCN a reclassificar a espécie, a nível global, de «Em Perigo» para «Vulnerável» (2024); em Portugal mantém‑se «Em Perigo». As ações de conservação seguem o Plano de Ação para a Conservação do Lince‑Ibérico (Despacho n.º 8726/2015). Protegido pela Convenção de Berna (Anexo II), CITES (Anexo I) e Diretiva Habitats (Anexo II e IV).

Ameaças

As principais pressões são a mortalidade direta por atropelamento e a prevalência de patologias transmissíveis por gatos domésticos e outra fauna selvagem. Uma nova epizootia do coelho‑bravo com declínio drástico das suas populações teria impacto direto na reprodução e estabilidade das populações de lince. A baixa diversidade genética constitui uma ameaça adicional em populações isoladas. A transformação de habitats nativos favoráveis (matagais mediterrânicos) continua a limitar a área de ocupação e a potencial expansão da espécie.

Documentos e referências

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